Marina W
28.03.12

E agora?


Ontem antes de dormir fiquei lendo a entrevista do Millôr, no Cadernos de Literatura Brasileira, publicado pelo Instituto Moreira Salles. Irresistível, comprei no fim de semana, na lojinha do museu. Millôr já tinha morrido enquanto eu lia. Agora fui no globo.com procurar o segundo capítulo de Avenida Brasil, para assistir no almoço. Tomei um choque tremendo ao saber da notícia. Porque, antes de dormir, fiquei pensando muito em como será o Brasil depois que todos se forem, pois jovens não são mais. Cony, Suassuna, Fonseca etc. É bom nem falar. Os que estudaram latim na escola, e têm formidável formação intelectual. Sabem português. Os cascas grossa. Porque Otto, Rubem Braga, Antonio Maria, João Cabral, Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos, Vinicius, Nelson Rodrigues já se foram. Os que sacodem também: Darcy, Glauber, Hélio Pellegrino, Paulo Francis. Ninguém mais faz tremer.

Todos sabíamos que há tempos Millôr não estava bem de saúde, chegando a ser internado duas vezes na São José. Antes de dormir, fiquei pensando em quem vai substituir os insubstituíveis. (Fora que Millôr era mais do que um intelectual, era um filósofo). Na imprensa, nos cadernos bês. Temos a geração que veio bem depois, Ruy Castro, Sergio Augusto. Meia dúzia de feras. Uma dúzia, talvez. Que leram os clássicos, que sabem das coisas. (Estou falando de um assunto que não gosto de falar. Que todos possam viver por décadas e décadas mais. Seria uma gentileza pra todos nós.). Tomara que eu esteja sendo extremamente pessimista. O Millôr morreu. Caramba.

...
Olha que espantoso. Via Gabriela Cavalcante.


25.03.12

Domingo creme de espinafre, café com chocolate, misturinha, espumante, perfume, brindes, auto-retratos.

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Não dá pra aceitar autorretrato, bicho.


24.03.12

Bom é mesa de bar com um monte de gente que trabalha na televisão. Bafões proibidos - que apresentadora está namorando o Rodrigo Pimentel? Quem dormiu com quem? Historinhas inocentes foram liberadas.

Reunião do Ipobe. As aspas não são ipsis litteris, claro. Vou contar a história que me contaram do meu modo. Não tem nada demais, mas adoro bastidores. Quem não?

Reunião do Ibope. Assunto: Fátima Bernardes. O resultado é mais do que esperado. Os telespectadores amam Fátima Bernardes e têm a melhor imagem possível da apresentadora. "Boa mãe, séria, responsável, simpática, confiável, tem credibilidade, inteligente, bonita,..."

William Bonner, até então quieto, se manifesta:

- Tô pegando.


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manuscritos de Apesar de Você e Anos dourados.


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O pintor deu bolo. Fui ao Jardim Botânico, encontrar amigos para almoçar. Mas achar alguém num parque daquele tamanho, sem celular, é como achar uma agulha blablablá. Resolvi relaxar. Fui ao jardim sensorial, sempre vou, embora não ache bonito, lembra canteiros de cemitério. Pior que foi uma pessoa muito querida que fez o projeto, mas ela não lê o blog, tá limpo. Gosto de fechar os olhos e com a palma da mão percorrer todos os canteiros, cada planta com uma textura e delicadeza diferente. Depois fui ao museu Tom Jobim. Está tendo uma exposição do Chico Buarque. Tirei fotos. Verdade que a digital substituiu o deleite de apreciar.

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Depois passei no Shopping da Gávea e peguei um novo celular, muito mais legal. Não precisei desembolsar, pontos acumulados. Almocei talharim de três cores, e segui para o Instituto Moreira Salles.

Parênteses:

...

Ontem

- Que tal um chope amanhã?
- Não posso, tenho um compromisso.
- ...
- Um compromisso comigo mesma.
...


Desencontros, Beths gripada, aproveitei e fui comigo me divertir.

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As duas exposições são de graça. A do Fellini é re-al-men-te demais. Espetacular é a palavra. Tão bem montada! Muitas salas. (Quartos do Waltinho, do João e the other guy - imaginei a primeira vez que fui lá. Dessa vez lembrei do Santiago). Fellini dormindo no chão, no set de Doce Vida. Os desenhos de Fellini. Seu caderno de sonhos. Muito Mastroianni. Telas por todo canto com trechos de entrevistas e filmes. Se você quiser sentar pra assistir um deles, pode usar cadeirinhas de diretor, com o nome do cineasta escrito atrás. Deus está nos detalhes.

A casa é um show à parte, mas fiquei bem decepcionada porque a parte que mais gosto, o lago de carpas, com o painel de ladrilhos do Burle Marx, estava em obras. A piscina que a Fernanda Torres tem carta branca para nadar. Alguns privilégios são charmosos. (outros arrogantes). Claro que não resisti e comprei a sacola de pano. Porque é vermelha. Porque de uns anos pra cá, vermelho passou a ser minha cor predileta.

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Waltinho não morava mal não.


Coluninha


23.03.12

A vida é vapt vupt.


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Quem acredita que perdi meu celular no táxi diga EU.

Dia puxado. Você sabe que está eufórica quando acha tudo barato. Você sabe que está estabilizada ( sumiu o itálico do blog, considere) quando puxa o freio de mão antes de descer a ladeira, e cair no mar de dívidas. Assim que vi que o celular tinha ficado no táxi, fui direto pra Travessa. A gerente fez várias ligações, na primeira deu ocupado, todas as outras caíram na caixa postal. Sorte que já tinha feito as dezenas de telefonemas do dia. Subo e desço escadas. Sento tonteira (delícia). Não tenho estrutura emocional para esperar sedex e quase comprei o cd do Ronaldo Bastos. Muito estranho ver meu nome no encarte, junto a outros tão bacanas. Que doçura. Devia ter comprado. Hum. O calendário equivocado da internet fez com que hoje fosse dia 24, e dei parabéns em dia errado. Por falar nisso. Hoje é aniversário da Gabizinha. Faz calor no Rio de Janeiro. Comprei Stellinhas.


22.03.12

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© Foto de Don McCullin. Paul McCartney, Ringo Star e George Harrison simulam a morte de John Lennon, 1968.

Essa fotografia "premonitória", de autoria de Don McCullin, foi feita no início do verão de 1968. Na imagem aparecem Paul McCartney, Ringo Star e George Harrison simulando a morte de John Lennon. Na época, embora mais conhecido como fotógrafo de guerra, Don McCullin recebeu um telefonema de Paul McCartney com uma proposta de trabalho irresistível: fotografar os Beatles em uma variedade de locais em Londres. No dia 28 de julho a sessão foi marcada, juntaram-se ao grupo os fotógrafos Ronald Fitzgibbon, Stephen Goldblatt, Tom Murray, Tony Bramwell e Mal Evans. Na época, os Beatles estavam no meio da gravação de The White Album e precisavam fazer essas fotos para divulgar o novo disco. O grupo esteve sete locais diferentes, onde centenas de fotos foram tiradas. Este dia foi ficou conhecido como Mad Day Out. “Estava acostumado a batalhas de rua e isso era algo diferente”, afirmou Don McCullin. Doze anos depois dessa foto, Lennon foi assassinado em Nova York.

(Do fotógrafo Fernando Rabelo)


20.03.12

Mimimi Dormi a tarde inteira, um sono sem sonhos. Dia de cansaços e enjoos. Não sei como vou dormir de novo, meia-noite e compromissos de manhã. Loto a agenda da semana que vem com médicos e exames de sangue. [ trecho retirado pela autora] O. ligou enquanto eu dormia. Precisava tanto falar com ele! Recebi notícia tensa, mas que sacode. Calor, calor.


Balé ao vivo e televisão A Luana pede para avisar que dia 22, quinta, depois de amanhã, às 16 e 15, a rede Cinemark vai exibir o balé Romeu e Julieta. Ao vivo, "direto do Royal Opera House de Londres, com projeção 2k (High Definition), áudio 5.1 e legendas em português." Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Manaus (sessão às 15h15, no horário local), Porto Alegre, Ribeirão Preto, Salvador, Santos, São Paulo e Vitória também estão nessa. O preço é salgadinho, 60 a inteira e 25 a meia. Mas é um espetáculo e tanto, portanto quem tiver oportunidade, se liga nessa.

Para os insones, hoje tem a obra-prima Lolita, (TCM, 3 da manhã), e o charmosíssimo Edu Coração de ouro, com Leila Diniz e Paulo José. Estreia hoje no Canal Futura, Livros que amei, onde personalidades falam sobre os livros que marcaram suas vidas. Às dez e meia da noite. Depois vou ver no tubo.

Dito isto, posso voltar as minhas futilidades =P


Quando voltamos pra casa, vimos uma procissão na Lagoa (!), para celebrar o dia de São José. Que saudade das procissões do interior, que eu via da janela, os bordados, velas e cantos, as senhoras com panos amarrados na cabeça, véus. Me bateu uma nostalgia agora: era tão lindo. Aqui tem carro de som e luzes verdes fluorescente. Mesmo assim curti pelo inusitado, e porque São José é super meu camarada.


19.03.12

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Em plena segunda. Eu e meu álibi. Amiga, café com chocolate, cleansing wipes, caixinhas de som vermelhas, pé, mão, folheado de cebola, cinema, capuccino. Shame é ótimo, tudo que eu disser será spoiler, mas posso ao menos falar que fiquei com um tremendo medo do diretor estragar o final. É incrível Steve McQueen - dá pra esquecer o nome do diretor? dirigir um filme sobre compulsão sexual sem cair no vulgar, e com tamanha sutileza. Não conte com cenas de sacanagem. Foram feitas com toda elegância possível. É um filme tenso, não espere risadas. Fassbender arrebenta, e Carey Mulligan também está ótima. Cinco estrelinhas.


Salve São José! :)


18.03.12

Privacidade? Como assim?


Do You Respect fever? Adoro ter febre. Lembra minha infância, não só a infância, quando eu tinha licença para matar aula, e minha mãe forrava o sofá com um lençol recém-lavado e branco - na minha mémoria, o branco de Platão. Passava o dia lendo revistas em quadrinhos e fotonovelas italianas.

Levei essa sensação na bagagem quando me casei. Sei que durante o casamento muitas vezes meu marido concordou que minha temperatura estava alta, só pra me deixar feliz. Aqui em casa, ter febre é sinal de status, e volta e meia um de nós pergunta ao outro, vê se estou com febre, na esperança de ouvir pelo menos um "Parece que sim". Mas geralmente a resposta é não, febre não cresce em árvores, e a gente aperta o pescoço esmagando a palma da mão da pessoa para forçar o quente. "Não está não" - tem sempre alguém pra responder com um sorrisinho corta barato.

Ocorre que antes de ir para a clínica, tive febre. Daquelas que não precisam de termômetro. "Vê se estou com febre, MC". "Muita!". Enfim. "Você adora!". Não tenho como negar. O resto vocês já sabem.

Corta.

Sexta encontrei o Flávio Ribeiro no consultário da terapia.

- E aí, melhorou da pneumonia tripla?
Yes! Não é qualquer pessoa que sabe dar valor a uma boa pneumonia.
- Você parece bem melhor.

De fato, uma semana atrás eu estava deitada no sofá da sala de espera.

(Segundo dia na clínica. Se-gun-do. Ligo pro cabeleireiro para desmarcar. "Não posso ir, estou no hospital com pneumonia dupla". O atendente pergunta: "Quer remarcar?" Ahn? Remarcar? Estou no hos-pi-tal. Tem gente que não tem a mínima sensibilidade. Francamente.)

Bom é ter doença tratável, e que não dói. Cansaço dói, mas é só esticar o corpo na cama, ou se jogar no sofá. Sou praticamente aquela que chega pro pipoqueiro e diz "Metade salgada, metade doce. Mais salgada do que doce. Estou com pneumonia dupla." A palavra dupla faz total diferença. Vou ter alta do repouso na quinta. Até lá, sinto dizer: Estou com pneumonia dupla, preciso descansar. Sorry!

Sou dramática e carente. Quem não?

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Ontem no almoço, meu irmão explicou que falar pneumonia dupla é considerado pelos médicos uma coisa meio brega. O certo é dizer pneumonia. Com essa realmente eu não contava.
É o fim.


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(Via Angela Scott Bueno/ Facebook)


17.03.12

Hoje fiz a sobrancelha e cuidei do cabelo, fui almoçar inesperadamente com Mariana♥ e Zé♥ , a dois supermercados, caixa eletrônico, e subi a ladeirinha para chegar em casa. Lavei a louça, fiz bacalhau, varri a casa. Parece que 25 caminhões contendo cargas pesadas passaram por cima de mim. Não sei ficar em repouso total ou parcial. Trata-se de um registro. Não estou me queixando, como vocês vão ver no próximo post.


16.03.12

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Mais do mesmo.


Sobre o pai do João Maizena. O sem-teto pediu dinheiro.

- É pra beber, negão?
- É sim.
- Então toma.

Disse entregando a nota. Grande Bismarck.


Fui à terapia. No caminho de volta vi um yorkshire desesperado, correndo de um lado pro outro em frente ao Clube do Flamengo. Ele atravessava a rua como se estivesse correndo na sala de casa, ia desviando dos carros e num certo momento provocou um engavetamento sem batida. Saltei do táxi e fingi que estava com alguma coisa nas mãos. "Toma", gritei. Ele atravessou a rua de novo, completamente sem noção do perigo, os carros desviando, meu coração batendo mais rápido do que o normal. Do outro lado da calçada - ou seja, em frente ao condomínio Selva de Pedra, um cara de bicicleta foi tentar alcançá-lo e virou a curva. Fiquei sem saber o que estava acontecendo. O taxista deu a volta, nenhum sinal do cachorrinho, mas também nenhum atropelamento. Só peço a Deus que alguém tenha conseguido pegá-lo, o que parecia missão impossível, e ele tenha voltado pra casa. Ô, Meu Deus.


Foto de Simone de Beauvoir publicada pelo jornalista Fernando Rabelo na sua página, e censurada pelo Facebook. Em que século estamos?

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15.03.12

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A bola da vez.


14.03.12

Coluninha voltou!


13.03.12

Acaba que ainda não fui ao cabeleireiro, que tinha marcado pra sexta passada. Fui à terapia e precisei me deitar no divã, ao estilo psicanálise. Desencavei um vestido Frida Khalo e estou quase me parecendo com ela. As sobrancelhas quase se unindo. Uma graça. Só que ao contrário.


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Estranho, agora percebo que depois de duas semanas desligado, meu computador voltou ao normal. Devia estar cansadíssimo, tadinho.


Telefonema pra farmácia

- Moço, esqueceram o Plasil...
- Perdão, posso mandar entregar, mas o rapaz está fazendo entrega...
- Vai demorar muito?
- Mais ou menos uma hora.
- Vou querer então.
- O problema é que não temos Plasil.

:)


Terça Acordei mais cansada do que todos os outros dias. Mas uma notícia boa - um texto que teria que entregar hoje mesmo, me encheu de ânimo. Vim pro PC, melhor que o laptop (não me adapto), mesmo ferradinho, mas como está sem som tenho que deixar o outro ligado pra ouvir Paulinho Moska cantar Rosa, replay, replay, replay. Infinitamente replay. Durante esse tempo que estive off blog, escrevi no Facebook , pois não era cansativo. Tenho uma curiosidade louca: quem não tem FB pode me ler? Me diz? Durante esses dias fiz de lá um micro blog. Tanta coisa aconteceu por aqui, ou ao mesmo tempo nada. O que mudou fui eu. Irmã Andréa ardendo no fogo do inferno.


12.03.12

estou muito cansada pra escrever posts, embora não pare de escrevê-los na minha cabeça. Por isso, por enquanto estou atendendo no Facebook.

=S


09.03.12

Um anjo pousou em minha vida.


06.03.12

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Gabo!


*Quando F. chegou com sua mochila, contendo laptop e os remédios, trouxe tb meus óculos. "Pra que óculos?" - perguntei. Quer dizer. Graças a eles posso ver TV se quiser. Mas não uso a não ser pra isso, ou viro um monstro de vez.

:S


Deve-se tomar muito cuidado com gorjetas. Algumas vezes elas podem anular uma gentileza que alguém fez pra você, e até humilhar. Estou meio emocionada agora. O homem da limpeza veio trocar o saco de lixo, e não conseguiu conter sua curiosidade. Meu "uniforme" verde de listas brancas, de ontem, estava enrolado em frente à porta do banheiro, porque ontem de madrugada vi uma baratinha no box.

Não chega a ser chocante porque a clínica é cercada pela floresta. Estou sem enxergar direito desde o segundo dia, porque minha lente descartável venceu*. Estou até me acostumando, mas não enxergo tão bem o rosto das pessoas. Contei o motivo da roupa estar bloqueando a porta, "mas não é culpa do moço da limpeza, ele é tão bom", eu disse, graças a Deus, porque ele era o moço da limpeza. São dois, mas no plantão de ontem era ele.Que já sabia da história da barata, e tinha fechado o ralo por precaução etc.

Vou ter que resumir essa história tão bonita, da sua humildade que me incomoda e comove, sua gentileza de ir buscar um produto que, se colocado numa linha imaginária entre a varanda e o quarto, impede a entrada das baratas. Conversamos sobre o produto, ele sempre tão querido. Me ensinou o que fazer, um litro de água para três dedos de Hipoclor. "Vou fazer melhor. Na véspera da sua alta lhe dou um já pronto." Respondi que a véspera era hoje, sempre constrangida, eu poderia tranquilamente receber o troféu de rainha das constrangidas.


Rapidamente ele trouxe o presente. "Agora vou pegar um saco plástico". "Não precisa, deve ter aqui" - eu disse, mesmo sabendo que não tinha. "Vou buscar". Trouxe rapidamente, guardou o produto, deu um nó. Qual o seu nome, perguntei. "Romeu". Ah! Me surpreendi porque não lembro de ter conhecido um Romeu. "Você já encontrou sua Julieta?" Pergunto e, evidentemente, me arrependo. Quantas milhões de vezes ele já ouviu essa pergunta? Ele encontrou, mas ela mora em São Paulo, "É um desencontro" - resume.

"Lá onde eu moro tem um valão, eu passo e não entra barata. Pena que entra pernilongo". Ele não fala com rancor, é um homem alegre. Governo imbecil.

Não acho que eu não mereça estar aqui, não tenho complexo de inferioridade e tudo mais, mas não dá pra eu me conformar que um homem assim, se doente, acaba na fila de algum hospital público. Eu poderia lhe dar 15 reais por ter sido tão bacana. Mas existem coisas que valem muito mais. "Romeu, quero que vc seja sempre extremamente feliz". Ele sorri e me deseja o mesmo. "Que Deus nos proteja sempre" - ele diz antes de sair e me desejar melhoras. Nós dois falamos do fundo do coração. Está contente por ter sido gentil, eu também pelo presente. É tão simples.

Nunca confunda delicadeza com favor.


Finalmente receberei alta amanhã. O médico - ao contrário de todas as médicas que passaram por aqui - é antipático. Pelas perguntas, percebo que se interessa especialmente pelo meu status social. Deve achar que estou no lugar errado, pudera, com essas sobrancelhas e cabelo. Falou que devo permanecer 15 dias de repouso. Oe? Sou sagitariana, rapaz. Com o ok do meu amigo médico, já marquei cabeleireiro. Tb não vou faltar a análise. Pego um táxi, desço na porta e volto da mesma forma. Deus é bom comigo, como costumava dizer meu ex-marido, pois já consegui uma empregada temporária. Emails atrasados, comentários tb. Às vezes fico bem cansada. Saudade da minha vida real.


05.03.12

(vou responder os comentários depois. Está tarde para hospital)


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Amanhã devo receber alta, já que tiraram aquele lance que me deixava presa ao soro e aos antibióticos, que passaram a ser via oral. Hospital hotelzinho e sem dor não dá pra reclamar mesmo. O que aprendi: que exame de sangue não dói. E realmente o que apavora é saber que você vai ser espetada, a dor que antecede à picada. Todo dia me acordam para fazer o exame e percebi que é praticamente um selinho. Principalmente se comparado ao pior momento: tirar sangue da artéria. PQP. Esqueci o nome do exame, e um médico amigo meu disse que o procedimento era só pra "tirar mais um dinheirinho do Bradesco".

O melhor, claro, é saber que existem pessoas que você gosta muito que também gostam muito de você. E-xem-plo: Gabizinha C..Tenho montes de outros. Claro que nem preciso falar da minha família inteira de quem gosto de forma egoísta: preciso saber que eles estão felizes pra eu me sentir feliz também. E nem comentar as maravilhas de ter um irmão médico, que além de tudo é meu melhor amigo.

O que espero levar daqui: as garrafinhas térmicas. Hahaha. Tô zoando. Espero levar pelo menos um pouco do que aprendi com o cardápio. Preferia não comer peixe. Mas sei o quanto é importante. Também voltarei a fazer "carne moída" de soja. A da clínica é igual a que eu faço, muito temperadinha, delícia. E também esse lance de tomar um chá como última refeição do dia.

Que mais. Mesmo com o notebook disponível, li bastante, engrenei o livro que estava lendo a conta-gotas, e é ótimo. A infecção não passou - o que eu mais quero no momento é me ver livre dela e ter minha energia de volta. Mesmo estando na reserva, não existe chance de eu não pegar um táxi e voar pro cabeleireiro. Porque você pode imaginar. Mesmo que o médico não permita, aliás nem tem como ele não permitir.

A coisa mais engraçada: Quando a médica da emergência perguntou se eu tomava algum remédio, blablablá, não sabia que o hospital se encarregaria de providenciá-los. Então pedi ao Francisco para trazer uma caixa branca onde eles estavam. Daí, hahaha, ele me chega com uma cestinha branca, daquelas de plástico que todo mundo tem, que é vazada com bolinhas, contendo: termômetro, sal de frutas, comprimidos para dor de cabeça, febre, azia, cólica, enjoo etc. Hahaha. A paciente ultra independente.

Vi um Bergman, Persona, achei bonito mas não entendi nada. Provavelmente não entenderia também se tivesse visto o filme inteiro, e não a última meia hora. Não é preciso entender um filme para gostar dele.

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04.03.12

Clínica começando a ficar de saco cheio =\


Estava publicando os comentários, muito amor, mas chegou meu almocinho. Internação com dieta livre é sorvete Itália de sobremesa :S Daqui a pouco eu volto pra contar coisas.

(fade out)

Escrevi bastante, mas perdi tudo. O notebook é pesado. Tudo meio que me cansa. A fisioterapeuta pede que eu levante a perna direita, e depois a esquerda dez vezes, e parece que corri na São Silvestre. No entanto, o que tenho a reclamar: nada. A vida me carregando no colo. Desde a hora que cheguei à Clínica achando que estava com virose ( o Zé, no telefone, já havia me dito que poderia ser pneumonia, o que achei estranho "com esse calor!". No telefone, Helena me perguntou a mesma coisa, o que fez com que eu não me sentisse burra sozinha), depois do diagnóstico, o Zé perguntou: Você se alimenta? Respondi a verdade: Não. Ele: por isso que você está com pneumonia. Meu irmão é tão fera.

Apesar do freezer estar cheio de comidas gostosas, estava me alimentando de Coca Zero e colheradas de geléia de limão. Por ter hipoglicemia, teve um período que me alimentei só de doces.

Estou sentada na cama, com o braço preso aos antibióticos e ao soro. Não sinto nenhum tipo de dor. Na minha frente uma varanda linda e uma goiabeira com frutas já prontas. As pessoas que eu amo me trazem revistas e livros. Mariana trouxe pastéis, empadas, pães de queijo. As refeições vêm de bandeja. Se isso não é vida boa, pohan.

Desde o momento que sentei na cadeira confortável da sala de espera muito cheia, sabia que era uma privilegiada, porque realmente não dá pra não pensar nas filas do Miguel Couto, e a injustiça social gritante. Chega a ser constrangedor. Vamos pular essa parte, todo mundo sabe como é. Imoral. A televisão da sala de espera fica ligada na GloboNews, assisti Arquivo N com Chico Buarque e outros programas. Vou virar espectadora desse canal, é muito bom.

A médica me disse que faria raio X do tórax e dos seios da face. Exame de sangue e soro. Mas depois fiz uma endoscopia e ela me disse que eu estava com pneumonia com focos nos dois lados do pulmão e precisava ser internada. Estava totalmente despreparada pra isso. Sei que é pura futilidade, mas fiquei bem chateada de ser exatamente na véspera de fazer sobrancelha, pé, mão e escova. Ia receber alta hoje, mas meus exames não progrediram. Posso ver MC sorrindo e só eu sei porquê. Haha.

Enquanto eu estava naquelas cabines para tirar sangue - depois fui para um pré-quarto e só então para o quarto, a clínica está lotada - F. e eu combinávamos o que fazer caso eu morresse.

- O que eu escrevo no blog?
- Escreve assim Meu nome é Francisco, sou filho da Marina. Minha mãe
- Faleceu
- É.
- Gostaria de pedir que ninguém deixasse nenhum tipo de comentário, já que irei deletar o blog
- Deletar?
- Não, não. Você escreve e vai correndo deletar a opção comentários.
- Ah, não.
- Franciscoooooo, não quero ser humilhada pós mortis. Já pensou 35 comentários?
- Vai ter mais.
- Não vai, Francisco.
- Vai ter uns cem.
- Cem é pouco!
- Vou deixar o comentários.
- Você vai tirar.
- Vou deixar.
- Francisco, vc vai tirar, entendeu?
Etc.

Minha família e nosso jeito de ser.

=P



02.03.12

Glr, volto logo. Estou internada, com pneumonia dupla. Monte de posts na cabeça, mas cansadinha.


01.03.12

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Rio, 447 graus


(Valeu Angela)




sopro, golpe...



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